O corpo que sente: entendendo as mensagens emocionais além da mente
- Paula Hickmann
- 3 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025
Quantas vezes o corpo fala antes da mente compreender? Uma dor que insiste, um cansaço sem causa aparente, um nó na garganta que surge sem aviso. Muitas vezes, o corpo guarda o que as palavras não conseguem expressar. Ele se torna porta-voz do inconsciente, revelando por meio de sintomas aquilo que precisa ser visto, acolhido e transformado.
O corpo como espelho da psique
Na psicologia analítica, o corpo não é apenas matéria, mas também símbolo. Cada sintoma pode ser lido como uma imagem que busca comunicação. A ansiedade que acelera o coração, a enxaqueca que paralisa, a dor no estômago diante de situações difíceis… todos são convites para olhar para dentro. O corpo espelha conteúdos que, se ignorados pela consciência, encontram caminhos próprios para se manifestar.
Quando o não dito encontra um lugar
Muitas emoções ficam represadas porque não sabemos como expressá-las. A raiva contida, a tristeza não legitimada, o medo silenciado, todos encontram no corpo um espaço de expressão. Assim, o não dito ganha voz em forma de tensão, fadiga ou dor.
Esses sinais, por mais desconfortáveis que sejam, não devem ser vistos apenas como falhas do organismo. Eles carregam histórias, memórias e vivências que ainda não foram elaboradas. É como se o corpo dissesse: “olhe para mim, aqui há algo que você precisa reconhecer”. Quando nos permitimos escutar essas mensagens, abrimos a possibilidade de ressignificar dores antigas e transformar experiências que antes pareciam apenas sofrimento em pontos de partida para um processo de cura mais profundo.
Sintomas como símbolos
Mais do que obstáculos, os sintomas podem ser vistos como símbolos. A garganta que fecha pode simbolizar palavras engolidas; o peso nos ombros pode representar responsabilidades excessivas; a sensação de aperto no peito pode ser um pedido de alívio. O olhar simbólico amplia a compreensão: não se trata de “curar” apenas o corpo, mas de integrar a mensagem psíquica que ele transmite.
Caminhos para integrar corpo e emoções
Escuta atenta: em vez de apenas rejeitar o sintoma, pergunte-se o que ele pode estar comunicando.
Diálogo interno: registre em um diário as sensações físicas que surgem junto de determinadas emoções.
Acolhimento da emoção: permita-se sentir, sem julgamento, o que está por trás da dor ou do desconforto.
Busca de apoio: processos terapêuticos ajudam a traduzir o que o corpo expressa, favorecendo a integração entre psique e soma.
O corpo como aliado no processo de individuação
Ao compreender que corpo e emoções caminham juntos, passamos a enxergar os sintomas não como inimigos, mas como aliados. Eles nos lembram da necessidade de equilíbrio, de verdade interna e de cuidado com a vida psíquica. Quando escutamos o corpo com atenção e respeito, abrimos caminho para uma existência mais integrada, onde mente, corpo e alma se encontram em harmonia.




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