Quando ser forte demais vira um escudo
- Paula Hickmann
- 4 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2025
Algumas pessoas vestem a força como uma armadura. Aprenderam a suportar tudo sozinhas, a conter a dor no peito, a oferecer ajuda mesmo quando são elas que mais precisam. De fora, parecem inabaláveis. Por dentro, vivem exaustas.
Essa força, que um dia foi necessária para sobreviver, muitas vezes se transforma em um escudo que isola. Um modo de se proteger da rejeição, da decepção, do abandono. Mas também um modo de se afastar da própria sensibilidade, das relações mais verdadeiras e de si.
A armadura que protege e aprisiona
Na psicologia analítica, a persona é a máscara que usamos para nos adaptar ao mundo. Quando essa máscara é a da força constante, pode esconder uma sombra de medo, insegurança e solidão.
Assumir o papel da pessoa forte é, muitas vezes, uma resposta ao abandono emocional vivido no passado. Mostrar fraqueza parecia perigoso demais. Então, criou-se uma armadura. Só que, com o tempo, essa proteção vai pesando. E o que era defesa vira prisão.
O medo de precisar
Pedir ajuda pode parecer um risco enorme para quem aprendeu a dar conta de tudo. Há o receio de parecer fraco, de não ser acolhido, de não saber como lidar com a própria vulnerabilidade. E então a pessoa segue se calando, suportando o que já não cabe mais.
Mas a verdade é que todos precisamos de apoio em algum momento. A vulnerabilidade, longe de ser um defeito, é um caminho de conexão. Quando compartilhamos o que sentimos, criamos pontes. E nessas pontes, podemos encontrar alívio, verdade e pertencimento.
Desarmar o coração
Desarmar-se não significa se expor a qualquer custo, nem abrir-se para quem não sabe acolher. Significa encontrar lugares seguros onde seja possível baixar a guarda, pouco a pouco.
Na jornada de individuação, esse gesto é simbólico: é quando deixamos de lado a rigidez da persona para permitir que o Self, nosso centro mais autêntico, se manifeste. É quando a alma pode respirar fora das exigências de perfeição.
Uma pessoa que viveu a vida inteira escondendo as próprias dores pode, um dia, permitir-se dizer “hoje eu não estou bem”. E nesse simples ato, há uma força imensa. A força de ser verdadeiro.
Força não é ausência de dor
Ser forte não é nunca cair. É ter coragem de se levantar, sim, mas também de reconhecer quando se está cansado. É saber cuidar de si com gentileza. É permitir que o outro esteja presente, mesmo quando isso parece difícil.
A verdadeira força não endurece. Ela escuta, sente, acolhe. E, justamente por isso, transforma.
Um convite ao reencontro
Se você se reconhece nessa armadura, talvez seja hora de perguntar: quem você é por baixo dela? O que em você ainda pede por cuidado? Quem poderia te escutar com presença, sem julgamento?
Você não precisa carregar tudo sozinho. Existe acolhimento possível. Existe vida depois da rigidez. Existe um jeito mais leve de existir, mais conectado com sua humanidade.




Me identifiquei…